Professores e alunos da InLingua ficam no limbo em processo de falência que pode levar meses na Flórida

ORLANDO – Centenas de funcionários e milhares de estudantes permanecem no limbo desde que nove escolas de inglês da franquia InLingua fecharam na Flórida em novembro e especialistas afirmam que a situação pode se estender por meses até que o processo de falência da IF Multicultural Interactive Solution seja concluído.

Essa semana duas audiências nos tribunais de Broward e Miami-Dade deram prosseguimento ao esforço para levantar os bens da empresa que comandava as escolas de Tampa, Orlando, Weston, Aventura, Boca Raton, Coral Gables, Doral e Fort Lauderdale.

Na corte de segunda-feira, 7, no Condado de Broward, a IF não apresentou evidências nem testemunhas. Defesa e acusação devem reunir provas até o dia 18, quando voltam ao tribunal.

Já os lesados – alunos e funcionários, inclusive os professores que eram considerados terceirizados, perdendo assim todos os direitos trabalhistas – têm até o dia 12 de março para entregar um formulário para a Justiça estabelecendo os saldos devedores.

A Justiça da Flórida analisa o pedido de concordata através do Capítulo Sete. Neste caso, todos os bens são somados e divididos pelos credores, mas a prioridade é quitar as dívidas com o governo. Em seguida, quita a folha de pagamento para então ressarcir os investidores e consumidores – neste caso os estudantes.

Especialistas avisam que o inventário dificilmente vai apresentar fundos suficientes para quitar a dívida integralmente.

Fechamento
No final de outubro, rumores davam conta que as escolas da InLingua na Flórida encerrariam as suas atividades.

Embora Maria Cristina Ortega de Marcos apareça como a dona da IF, foram outros integrantes da família Ortega, entre eles Leonidas Ortega Amador, que conversaram com alunos e funcionários da InLingua e afirmaram que investidores iriam sustentar as escolas ainda que a empresa da família estivesse em processo de falência. O caso tramita na

Justiça desde 2017 e não impedia a IF Multicultural Interactive Solution de operar normalmente.

Alunos e professores chamam a atenção de que foram notificados oficialmente sobre o fechamento dos centros da InLingua no sul dos Estados Unidos no dia 4 de novembro, horas após a empresa postar em suas redes sociais a promoção de 50% de desconto para novos alunos.

“Eles sabiam que iam fechar e continuaram recrutando alunos com promoções sedutoras”, observa o professor Danny Singh, que lecionava na InLíngua de Orlando. “Estamos falando de adultos que estão aprendendo uma segunda língua e têm uma família para sustentar.

Muitos estavam com visto de estudante e não podiam trabalhar nos Estados Unidos”, acrescenta o profissional que não recebeu o salário das últimas quatro semanas.

Pelo menos centenas de estrangeiros, muitos brasileiros, tiveram que deixar o país porque não tinham condições financeiras de atender o prazo de 15 dias para transferir a matrícula para outras instituições, exigência das autoridades de Imigração, após desembolsar US$8 mil à vista para um curso de seis meses que haviam acabado de começar.

Outros estudantes nem chegaram a embarcar para a Flórida. “Eu tirei o meu visto pela InLingua e paguei três meses na frente, mas só iria me mudar em março”, conta a paulistana que não quis ter o nome divulgado.

A advogada Corali Lopes-Castro avisa que “mesmo as pessoas que pagaram em dinheiro vivo, voltaram ao país de origem ou nem chegaram a entrar nos Estados Unidos, devem preencher o formulário disponibilizado pela Corte de Falências para tentar o reembolso”.

Desamparados
Singh conta que já recorreu a todas as instâncias e não consegue ajuda. “Não temos ninguém para nos representar. Nenhum advogado quer pegar o nosso caso e órgãos públicos dizem que não podem fazer nada”.

Segundo o Departamento de Ensino da Flórida, a Comissão de Educação Independente licencia apenas instituições privadas de Ensino Superior na Flórida, “categoria que a InLingua não se encaixa”.

Sobre os salários dos professores, a Procuradoria Geral da Flórida orientou que os profissionais procurem o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, que não está atendendo nas últimas três semanas desde que o governo norte-americano paralisou as suas atividades.

A Procuradoria ainda nega que possa ajudar os alunos como consumidores uma vez que a empresa está em processo de falência.

A matriz da InLingua, na Suíça, também se esquiva da responsabilidade. “Fizemos uma auditoria na época de liberar a franquia e nada constava contra a senhora De Marcos na época”, afirma o diretor Jürg Heiniger.

A marca está no mercado há mais de meio século e suas franquias somam quase 400 centros de idiomas em 30 países. Só nos Estados Unidos são 11 escolas espalhadas por Massachusetts, Texas, New Jersey, Connecticut, Nova York, Utah e Virgínia.

Fraude
A credibilidade da InLíngua foi abalada por uma família que já é conhecida por escândalos no mundo financeiro. Os Ortega são acusados de causar um prejuízo de US$ 105 milhões ao governo do Equador através de transações fraudulentas e estelionato do Banco Continental.

A denúncia de 1996 levou ao indiciamento de 31 pessoas por peculato, pirataria de capital e falsificação e uso fraudulento de documentos públicos.

Em 1999, o processo foi reduzido a um único acusado: Leonidas Ortega Trujillo. O dono do Banco Continental foi acusado do crime de falsificação e uso fraudulento de instrumentos públicos, o que poderia acarretar até nove anos de prisão.

Em novembro de 2007, a Suprema Corte daquele país declarou que o processo havia prescrito e Ortega Tujillo escapou do risco de ser extraditado dos Estados Unidos para cumprir pena no Equador.

SERVIÇO:
Professores se organizaram e orientam os ex-alunos, ou qualquer pessoa que emitiu pagamento para a InLingua na Flórida, deve enviar um formulário para o advogado Leslie Osborne, que gerencia o processo de falência. O documento pode ser requisitado através do email office@rorlawfirm.com.