Prefeito de Nova York cria programa de saúde que inclui imigrantes ilegais

Prefeito de Nova York Bill de Blasio anuncia programa de saúde que será implementado na cidade (Foto: Shannon Stapleton/Reuters)

NOVA YORK – Nova York entrou na rota para ampliar o acesso de 600 mil nova-iorquinos sem seguro de saúde – metade deles imigrantes ilegais – à rede municipal de hospitais e clínicas de saúde básica, anunciou o prefeito Bill de Blasio essa semana.

O NYC Care, divulgado na terça-feira (9) quer garantir que todos os nova-iorquinos recebam atendimento médico, independentemente de renda ou status imigratório e deve custar US$100 milhões aos cofres públicos.

O complexo sistema de saúde nos Estados Unidos não funciona como os sistemas universais do Brasil ou de vários países europeus, em que uma rede de clínicas, hospitais e serviços são financiados integralmente pelo governo. Os americanos precisam ter seguros de saúde, que podem ser subsidiados pelos empregadores ou pagos do próprio bolso.

Existem serviços públicos específicos para populações vulneráveis como aposentados, crianças, veteranos e pessoas abaixo da linha da pobreza, mas estes serviços, bem como o Obamacare, estão disponíveis apenas para cidadãos americanos ou residentes legalizados.

Serviços gratuitos
Nova York já tem um sistema municipal de saúde, composto por 11 hospitais públicos e 70 clínicas, todos gratuitos, e um plano de saúde de baixo custo, que opera dentro do Obamacare.

Mas os nova-iorquinos tendem a usar a rede pública apenas no caso de emergências, sem aproveitar o serviço para consultas de rotina ou exames simples, e muitos imigrantes nem sabem que estes serviços também se estendem a eles.

A intenção do democrata é aliviar os prontos-socorros municipais, garantindo mais acesso à rede existente gratuita de clínicos gerais e serviços de prevenção.

Em uma primeira fase, a prefeitura pretende fazer isso promovendo o plano de saúde municipal, chamado Metroplus, cujos preços mensais dependem da renda do morador, podendo até sair de graça. Mas o Metroplus só está disponível a cidadãos americanos e residentes com visto em dia, o que excluiria os imigrantes ilegais.

A segunda fase se destina a quem não pode ou não quer ter um plano de saúde. O sistema vai cadastrar os interessados, que não precisam apresentar documentos que comprovem status imigratório, para em seguida designar um clínico geral para cada usuário e facilitar o agendamento de consultas, que serão pagas de acordo com as possibilidades financeiras de cada um. Haverá também um serviço telefônico gratuito 24 horas por dia.

Cuidados de saúde mental e tratamento de abuso de drogas e álcool também estão incluídos no programa que deve começar em agosto no distrito do Bronx e se estender a toda cidade até 2021.

Exemplo da costa oeste
O modelo do NYC Care não é inédito. Ele foi inspirado em uma iniciativa existente em San
Francisco desde 2007, que foi muito elogiada pelos seus resultados. Um estudo de 2011 mostrou que 75% dos participantes foram ao médico nos 12 meses seguintes à sua entrada no programa, e os números de idas ao pronto-socorro e internações evitáveis também caíram consideravelmente.

O idealizador do programa californiano, Mitchell Katz, é atualmente o chefe da rede de hospitais públicos de Nova York.

Momento delicado para Trump
O NYC Care não deixa de ser um tapa de luva de pelica de De Blasio ao presidente Donald Trump, ao dar uma solução a dois temas espinhosos para a Casa Branca: imigrantes ilegais e o sistema de saúde.

Trump está em uma quebra de braço com a nova maioria democrata no Congresso americano sobre o seu sonhado muro na fronteira do México.

Ao mesmo tempo, outros políticos recém-eleitos no Legislativo estão prometendo trabalhar para ampliar o Obamacare ou até mesmo criar um sistema universal de saúde nos Estados Unidos.

A nível estadual, os governadores recém-eleitos da Califórnia e Washington também já anunciaram que querem explorar iniciativas semelhantes às de Nova York em seus estados.

Em Massachusetts, ao nordeste do país, a medicina preventiva também inclui os imigrantes indocumentados desde que foi implementado em 2006 pelo ex-governador republicano, Mitt Romney, e serviu de modelo para desenvolver o Obama Care.

(Com Assessorias)