Paralisação do governo por muro na fronteira agrava crise imigratória nos Estados Unidos

WASHINGTON – O governo dos Estados Unidos entra no 13° dia de paralisação nesta quinta-feira, 3, diante do impasse do financiamento do muro na fronteira sul e agrava o caos no sistema imigratório do país.

Segundo dados oficiais, as Cortes de Imigração acumulavam mais de 1 milhão de casos até 22 de dezembro, o que garantia agenda cheia para centenas de juízes por pelo menos 4 anos.

As audiências suspensas durante as últimas duas semanas vão ser remarcadas após a reabertura da administração do presidente Donald Trump. A expectativa é que esses processos só vão ser retomados em 2021.

Atualmente, juízes trabalham de plantão, e sem perspectiva de quando vão receber os seus salários, para atender casos de imigrantes presos. Em Boston, Massachusetts, apenas dois magistrados analisam os processos.

A situação na fronteira com o México, região que está no centro das discussões entre Congresso e Casa Branca, é ainda mais séria. Os agentes da Polícia de Fronteira (CBP) continuam na ativa por prestarem serviço essencial, mas são obrigados a liberar os estrangeiros porque não há mais espaço para prendê-los.

Segundo os últimos dados da CBP, 2 mil estrangeiros são detidos por dia ao tentar entrar irregularmente nos EUA, centenas estão sendo soltos nas cidades fronteiriças desde o fim de dezembro por falta de capacidade dos centros de detenção.

Além disso, os cerca de 245 mil funcionários do Departamento de Segurança Interna (DHS), apenas 14% estão com os salários em dia em razão de recursos próprios.

O Escritório de Serviços de Imigração e Naturalização (USCIS) é o menos afetado já que as taxas pagas pelos estrangeiros arca com os custos da maior parte dos 17 mil funcionários.

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