Michael é rebaixado para tempestade tropical depois de causar devastação e morte na Flórida

Vagões de trem descarrilaram após passagem do furacão Michael em Panama City, na Flórida (Foto: AP)

ORLANDO – O furacão Michael foi rebaixado para tempestade tropical na madrugada desta quinta-feira, 11, pelo horário local depois de matar pelo menos duas pessoas e destruir casas no noroeste da Flórida.

As autoridades afirmam que esta foi a tempestade mais violenta a atingir o estado em muitos anos. “Michael foi o furacão mais intenso a afetar a região desde 1851”, afirmou Brock Long, diretor da Agência Federal de Emergências (FEMA) que descolou mais 3 mil agentes para a área antingida.

Michael atingiu a Flórida nesta quarta-feira como um furacão de categoria 4 e ventos de até 250 km/h, perto de Mexico Beach, deixando a primeira vítima da fatal logo nas primeiras horas. Segundo a delegacia de Greensboro, na Flórida, um homem, ainda não identificado, morreu após ser atingido por árvore caiu sobre a sua casa.

Na Geórgia, uma menina de 11 anos também foi morta quando uma folha de metal invadiu o trailer de sua família e a atingiu na cabeça, informou Travis Brooks, diretor da Agência de Gerenciamento de Emergência no Lake Seminole.

Segundo o último boletim divulgado pelo Centro Nacional de Furacões (NHC, sigla em inglês) às 5 horas desta quinta-feira (11). O fenômeno foi rebaixado para tempestade tropical, quando atravessava a Geórgia, e ainda provocava fortes chuvas e ventos de 85 km/h.

Ainda hoje ele deve passar pelos estados da Carolina do Sul, Carolina do Norte e Virgínia, antes de seguir para o Oceano Atlântico. Vale ressaltar que há um mês, as Carolinas foram atingidas pelo furacão Florence.

O governo federal decretou estado de emergência, para liberar verbas para a reconstrução das áreas atingidas.

Em um comício na Pensilvânia na quarta-feira, o presidente Donald Trump disse que seus “pensamentos e orações” estavam com os afetados pela tragédia e prometeu viajar à Flórida “em breve”.

Desabrigados

Mais de 300 mil receberam ordem para evacuar, mas nem todos obedeceram.

Estima-se que 6 mil retirados se abrigaram em abrigos de emergência, a maioria deles na Flórida, e que o número deve chegar a 20 mil em cinco Estados até o final da semana, disse Brad Kieserman, da Cruz Vermelha Americana.

Até o início da manhã desta quinta-feira, 706 mil pontos estavam sem eletricidade na Flórida, Alabama e Geórgia. Do total, pelo menos 325 mil eram na Língua da Terra, área onde o Michael tocou o solo ontem.

Destruição
Fotos e vídeos de Mexico Beach, uma comunidade de cerca de 1.000 habitantes, mostravam cenas de devastação absoluta. As casas pareciam flutuar no meio de ruas inundadas, algumas totalmente destruídas após terem perdido o teto.

“Minha casa em Mexico Beach está debaixo d’água”, disse Loren Beltrán, uma contadora de 38 anos, depois de ver imagens de seu bairro. “Perdi tudo de material, mas graças a Deus estamos bem”.

Ela e seu filho de três anos se refugiaram em outra casa em Panama City, onde o panorama não era, no entanto, muito mais animador.
Panama City parecia uma área de guerra depois de ter sido atingida por mais de três horas por fortes ventos e uma chuva intensa que caía horizontalmente. As ruas eram intransitáveis e havia antenas, tetos, árvores e semáforos espalhados por todos os lados.

Furacão histórico
“Infelizmente, esta é uma situação histórica, incrivelmente perigosa e de risco de vida”, disse Ken Graham, diretor do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, sigla em inglês).

O general Terrence O’Shaughnessy, comandante do Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte, disse que a rapidez com que a tempestade se formou e cresceu pegou os moradores desprevenidos.

“Começou como tempestade tropical, depois aumentou para categoria 1, depois 2 e quando menos esperávamos, era um furacão de categoria 4”, disse O’Shaughnessy.

“Isto se torna um fator na evacuação das populações locais”, acrescentou. “Não vimos a resposta robusta de parte da população civil que normalmente vemos em outras tempestades”.

No ano passado, uma série de furacões catastróficos atingiu o Atlântico ocidental. Os mais violentos foram o Harvey no Texas, Irma no Caribe e Flórida, e Maria, que devastou o Caribe e deixou quase 3 mil mortos no território americano de Porto Rico.

(Com AFP)