Mexicano sofre deportação relâmpago após passar 11 meses refugiado em igreja na Carolina do Norte

Bruno estava ao lado do filho quando foi preso

DURHAM – Um mexicano foi preso ao sair do seu refúgio em uma igreja na Carolina do Norte para comparecer a uma entrevista no Departamento de Cidadania e Imigração (USCIS) dos Estados Unidos e deportado em menos de uma semana, uma tendência do governo tolerância zero do presidente Donald Trump.

Samuel Oliver-Bruno, 47, passou a maior parte do seu tempo nos últimos 11 meses em uma igreja, em Durham, para ficar próximo da mulher, que está gravemente doente, e o filho.

Bruno foi preso na sexta-feira, 22, após o feriado de Ação de Graças ao deixar a Igreja Metodista CityWell para preencher os papéis para o processo de perdão e regularizar a permanência no país.

A presença de amigos, inclusive do pastor, não intimidou os agentes da Polícia de Imigração (ICE) que algemaram Bruno assim que ele deixou o templo. O filho do imigrante, Samuel de 19 anos, tentou defender o pai, mas foi imobilizado pelos policiais.

Pelo menos 27 pessoas foram presas em ato de protesto enquanto o mexicano era levado para uma van que o esperava atrás da igreja.

Manifestantes bloqueiam a van da ICE para tentar evitar que levassem Bruno (Foto: AP)

Isamel Ruiz-Millan, um líder da comunidade hispânica da Duke University’s Dinity School que acompanhava Bruno, disse ao Washington Post que o imigrante sabia dos riscos. “Mas honestamente acreditávamos que era um risco baixo afinal era um processo rotineiro. Se ele não fosse, o caso seria cancelado”, observou o ativista.

A defesa do mexicano alega que ele teve uma vida exemplar nos Estados Unidos por 20 anos antes de voltar para o México para cuidar do pai que estava doente. Bruno voltou a cruzar a fronteira irregularmente em 2014 após a mulher, Júlia Perez Pacheco, ser diagnosticada com lupus, uma doença auto-imune.

Nessa época ele foi pego com uma certidão de nascimento forjada e estava em liberdade supervisionada, uma vez que a administração do democrata Barack Obama priorizava deportações de imigrantes que tivessem cometido crimes graves representassem perigo aos EUA.

Mas quando o mexicano voltou em 2017 ao escritório da USCIS, em Charlotte, para estender a ordem de supervisão, ele foi informado de que seria deportado. “Não é nada sobre você. Tem a ver com nova administração”, disse um funcionário, segundo Ruiz-Milan.

Desde que Trump assumiu a Casa Branca em janeiro do ano passado, as autoridades de Imigração trabalham com a tolerância zero.

Durham church offers sanctuary to man facing deportation
Bruno (de camisa listada) ao lado da mulher e do filho enquanto estava asilado (Foto: AP)

Na tentativa de ficar com a família, Bruno buscou refúgio na igreja que frequentava uma vez que desde 2011 a ICE segue uma diretriz que evita operações em templos religiosos, hospitais e escolas de operações.

De acordo com a advogada Helen Parsoange, que assumiu o caso de Bruno no momento da sua prisão há duas semanas, esse tipo de ação “tem acontecido o tempo e se transformou um procedimento operacional padrão”.

Bruno foi deportado na quinta-feira (30), menos de uma semana após o incidente e espera no México vencer na Justiça norte-americana e voltar a se encontrar com a família na Carolina do Norte em um processo que pode levar anos.