Itamaraty afirma que oito adolescentes brasileiros continhuam detidos nos EUA porque querem ficar no país

Ministro Aloysio Nunes em imagem de arquivo

BRASÍLIA – O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, informou nesta quinta-feira, 9, que o Itamaraty acompanha a situação de oito adolescentes brasileiros que continuam em abrigos nos Estados Unidos por terem entrado no território norte-americano desacompanhados dos responsáveis e não querem deixar o país.

Segundo o chanceler brasileiro, a situação desses menores é diferente das outras 50 crianças brasileiras que também foram detidas e separadas dos pais ao atravessar a fronteira com o México e já estão em liberdade com a família no Brasil ou nos EUA onde buscam asilo, segundo assegurou o Itamaraty.

“Eles querem ficar nos Estados Unidos, em primeiro lugar. E estão sujeitos às restrições administrativas previstas na lei de imigração americana. Estão buscando famílias que possam acolhê-los e se responsabilizar por eles. As autoridades americanas são muito rigorosas para saber se a família tem realmente condições de recebê-los”, disse Nunes, em entrevista após a primeira Reunião do Diálogo Político-Militar Brasil-Chile, no Palácio Itamaraty, em Brasília.

O chanceler acrescentou que os consulados brasileiros estão acompanhando “com carinho” cada um desses casos. De acordo com o ministério, os adolescentes estão em abrigos em Nova York, Illinois, no Texas e no Arizona.

Muitos adolescentes, afirma o Itamaraty, quando estão em idade próxima à maioridade, tentam entrar sozinhos nos EUA ou com parentes que não são os responsáveis legais.

“Há menores que estão em abrigos nos EUA por terem ingressado ilegalmente no país, porém desacompanhados dos responsáveis. Os agentes consulares mantêm visitas regulares aos abrigos, para prestar apoio e assegurar que estão recebendo os cuidados devidos”, informou o ministério.

Tolerância zero

Em maio, a administração do presidente Donald Trump anunciou a política de “tolerância zero” e alertou que todos que tentassem entrar irregularmente no país seriam presos. A inciativa resultou na prisão e separação dos pais de 2.551 menores.  Uma ordem jucidicial em junho suspendeu a ordem federal, mas o governo ainda busca reunir 559 famílias.

Essas são as crianças cujos pais ou outros adultos associados não cumprem requisitos legais, ou seja, estão presos por terem cometido algum crime, oferecem risco ao bem estar do menor ou mesmo não quiseram receber as crianças.

Entre esses casos, existem 386 crianças que permanecem em abrigos porque os pais já foram deportados. O governo conseguiu fazer contato com os responsáveis por 360 delas, 299 na última semana. Os casos mais graves, porém, são os de 26 cujos pais as autoridades não localizaram após deixarem os EUA, e sobre os quais não possuem qualquer informação até o momento.

(Com EBC)