Dólar segue exterior, tem terceira alta seguida e fecha a R$3,66

SÃO PAULO – O dólar subiu pela terceira sessão consecutiva e chegou a encostar no patamar de 3,70 reais nesta terça-feira, 15,  acompanhando o cenário externo, onde cresceram os temores de que os juros nos Estados Unidos podem subir mais do que o esperado neste ano, o que afetaria o fluxo global de capitais.

O dólar avançou 0,90 por cento, a 3,6608 reais na venda, renovando maior patamar de fechamento desde 7 de abril de 2016, quando terminou a 3,6937 reais. Nestes três pregões, a moeda norte-americana ficou 3,22 por cento mais cara ante o real.

Na máxima dessa sessão, o dólar chegou a 3,6943 reais. O dólar futuro tinha valorização de cerca de 1 por cento no final da tarde.

“Se o euro seguir caindo e o dólar avançando ante a cesta de moedas, mantendo-se acima de 93, o dólar seguirá pressionado aqui também. É um movimento global”, afirmou o diretor da consultoria de valores mobiliários Wagner Investimentos, José Faria Júnior.

Nesta sessão, o dólar avançava para a máxima desde dezembro ante uma cesta de moedas, acima de 93, após dados robustos da economia norte-americana e que reforçaram as apostas de que o Federal Reserve, banco central do país, vai elevar os juros mais três vezes este ano. Até então, a expectativa era de apenas mais duas altas.

Mais cedo, os juros futuros dos Estados Unidos precificavam 54 por cento de chances de alta dos juros a 2,25-2,50 por cento no final do ano, ou seja, mais três altas além da já feita neste ano. Atualmente, as taxas estão no intervalo de 1,50-1,75 por cento.

Taxas elevadas têm potencial para atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados em outras praças financeiras, como a brasileira.

As vendas no varejo dos EUA subiram 0,3 por cento em abril, em linha com as projeções, mas os dados de março foram melhorados, mostrando expansão de 0,8 por cento, sobre 0,6 por cento antes.

O dólar também exibia alta firme ante moedas de países emergentes e exportadores de commodities, em dia de avanço do rendimento do Treasury de 10 anos para acima do patamar de 3 por cento.

Internamente, a cautela dos investidores também decorreu da cena política, sobretudo após divulgação da pesquisa eleitoral CNT/MDA na véspera e que indicou a preferência por candidatos que os investidores enxergam como menos comprometidos com ajuste fiscal.

O Banco Central vendeu nesta sessão a oferta total de até 5 mil novos swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares.

Também vendeu integralmente a oferta de até 4.225 swaps para rolagem do vencimento de junho. Dessa forma, já rolou 353,750 bilhões de dólares do total de 5,650 bilhões de dólares que vence no próximo mês.