Deputados democratas dos EUA criticam aproximação do governo com Bolsonaro

Pompeo se reuniu em Brasília com Bolsonaro e reiterou "forte parceria entre EUA e Brasil" (Foto: DW)

WASHINGTON – Um grupo de congressistas do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos afirma que diplomacia americana deveria ter condenado “recentes ações que tiveram como alvo as comunidades LGBT, indígena e afro-brasileira” e questiona o secretário de Estado Mike Pompeo sobre seus elogios ao presidente brasileiro Jair Bolsonaro.

Em carta aberta publicada nesta quarta-feira, 9, o grupo liderado pelo deputado Eliot L. Engel, presidente do comitê, disse que Pompeo, ao contrário, deveria ter condenado, em público e em privado, as “recentes ações que tiveram como alvo as comunidades LGBT, indígena e afro-brasileira”.

Os deputados disseram estar preocupados com a ausência desse questionamento, o que, segundo eles, pode minar o comprometimento dos Estados Unidos com a democracia e os direitos humanos no continente americano.

“Ficou imediatamente claro que as preocupantes declarações passadas de Bolsonaro sobre direitos humanos não se limitam mais somente à retórica”, afirmaram os signatários.

“Ficamos, assim, perplexos que, após o seu encontro com o presidente Bolsonaro, um comunicado do Departamento de Estado explicou que o senhor ‘reafirmava a forte parceria entre EUA e Brasil, enraizada no nosso compromisso comum com a democracia, educação, prosperidade, segurança e direitos humanos’. Não está claro que o presidente Bolsonaro compartilhe desses valores”, criticaram.

O grupo lembrou decisões recentes do governo Bolsonaro, como a transferência da demarcação de terras indígenas para o Ministério da Agricultura e a exclusão da comunidade LGBT dos grupos que serão protegidos pelo novo Ministério dos Direitos Humanos.

“É essencial que os Estados Unidos continuem a defender a natureza universal dos direitos humanos, manifestando-se quando os direitos de qualquer grupo marginalizado sejam postos em risco”, diz o documento, que é assinado por seis democratas e nenhum republicano do comitê, formado por 39 congressistas.

Numa reunião em Brasília com Pompeo, Bolsonaro, que é fã declarado do presidente norte-americano Donald Trump, comprometeu-se a fortalecer a cooperação econômica e na área da segurança, bem como na luta contra os regimes autoritários de Venezuela e Cuba.

“A minha reaproximação com os Estados Unidos é econômica, mas também pode ser militar”, disse o presidente. Ele afirmou estar pronto para a instalação “no futuro” de uma base militar americana em território brasileiro. Mais tarde, diante da repercussão negativa entre os militares brasileiros, voltou atrás.

É a segunda vez que deputados democratas americanos se manifestam contra Bolsonaro. Em outubro, às vésperas do segundo turno, um grupo de 18 legisladores pediu a Pompeo que condenasse o então candidato do PSL por encorajar a violência política, mostrar falta de compromisso com a democracia e atacar minorias.

(Com Agências)