Brasileiro consegue falar com a mãe que ficou em cidade devastada pelo furacão Michael

Árvore gigante caiu para o lado contrário da casa de Pedrosa (Foto: Cortesia Ed Brito)

PANAMA CITY – O brasileiro Thadeo Pedrosa viveu momentos de tensão enquanto assistia a mais de 300 km de distância o furacão Michael devastar o noroeste da Flórida, onde mora há cinco anos. O alívio só chegou no início da tarde desta quinta-feira, 11, quando conseguiu conversar com a mãe, que permaneceu na área de risco.

O fenômeno foi rebaixado à tempestade tropical durante a madrugada, mas deixou um rastro de destruição, atingindo de forma catastrófica Panama City, município com 37 mil habitantes, com ventos de 249km/h pouco antes das 14 horas de quarta-feira. Na escala Saffir-Simpson, ele estava cotado como de categoria 4, destacando que a categoria 5, a mais forte, começa com ventos a partir de 250km/h.

Desde a tarde de ontem, Pedrosa tentava contato com a mãe, Fátima Jorgeisin. Mas após a passagem do furacão pela cidade, os celulares em muitos pontos perderam o sinal por queda de torres de retransmissão ou mesmo pela falta de energia para o carregamento das baterias.

De acordo com o PowerOutage.us, que monitora em tempo real o fornecimento de eletricidade nos Estados Unidos, na tarde desta quinta-feira 900 mil pontos estavam sem eletricidade na Flórida, Alabama, Geórgia, Carolina do Sul e Carolina do Norte. Do total, pelo menos 325 mil eram na Língua da Terra, área onde está localizada Panama City.

“Agora pouco o meu amigo foi até a casa dela e conversamos por vídeo. Está tudo bem”, comemorou Pedrosa que foi com a mulher e o filho de 2 anos para o estado do Mississipi.

No dia anterior, a reportagem do BM NEWS conseguiu localizar Fátima e por telefone ela contou a razão pela qual não quis deixar a cidade. “Eu e meu marido decidimos ficar porque temos dois cachorros e quatro patos. Nós não queríamos deixá-los para trás”, disse Fátima Jorgeisin ao BM NEWS.

Às 13 horas de quarta-feira, menos de uma hora antes de Michael chegar ao continente, a cidade registrava ventos de até 135km/h por hora. “Acabou de cair uma árvore em cima da casa do nosso vizinho. Graças a Deus eles não estavam lá,” contou a corretora de imóveis que vive nos Estados Unidos há mais de 20 anos.

Ela e o marido, um norte-americano, seguiram as instruções de ficar nos cômodos que não fazem divisa com a área externa do imóvel. “Nosso medo é o vento. Eu não imaginava que ia ser tão ruim assim. Mas acho que será rápido e vai acabar tudo bem”, tentava prever a brasileira que mora a pouco mais de 3km da faixa litorânea de Panama City.

Mais de 370 mil pessoas receberam ordens para deixar a Flórida, mas as autoridades temem que muitos, como a brasileira,  tenham ignorado o alerta.

Imagem de uma casa que fica na área menos afetada de Panama City (Foto: Cortesia Ed Brito)

Após mais de três horas sofrendo com os fortes ventos e uma chuva intensa que caía horizontalmente, Panama City parecia uma área de guerra. As ruas ficaram intransitáveis e havia antenas, tetos, árvores e semáforos espalhados por todos os lados.

O mesmo amigo que conseguiu contato com Fátima só chegou até a residência de Pedrosa, que fica a uma quadra da praia, por volta do meio-dia (horário local). “Alguns locais da cidade ficaram intactos, mas na área da minha casa foi tudo destruído. Não era possível atravessar até lá.”

As imagens enviadas por Ed Brito magens rmostram a casa intacta, salvo os estragos da parte externa. E tranquilizaram Pedrosa. “Deu tudo certo, graças a Deus.”

O carioca tem uma companhia de gerenciamento de propriedades e ainda teme que seu negócio tenha sido prejudicado. “Acho que este furacão quebrou minhas pernas até em meu negócio. Não sei o que vou encontrar quando voltar para Panama City”, conta.

“O prejuízo deve ser enorme, mas o importante é que estamos bem”, afirma o brasileiro que está com a mulher e o filho de 2 anos em um hotel em Biloxi, no Mississippi, a pouco mais de 383km de Panama City.

Rota de fuga
Pedrosa decidiu sair com a família de Panama City na madrugada da terça-feira, 9, quando o Centro Nacional de Controle de Furacões assinalou o crescimento de Michael no Golfo do México para a categoria 3. Neste momento, o governador da Flórida, Rick Scott, já havia emitido um alerta de emergência e determinado que os moradores evacuassem a cidade.

Pedrosa com a mulher, Michelle, e o filho, Ryan, devem voltar para casa na sexta-feira (Foto: Arquivo Pessoal)

“Nós ficaríamos se fosse até a categoria 2. Quando vi na TV que já havia subido para 3, decidi com minha esposa que deveríamos procurar um local mais seguro. Minha casa fica bem no local que foi atingido em cheio. Liguei para hotéis em cidades que ficam a duas horas de distância e todos estavam lotados. A opção encontrada foi viajar para o Mississippi”, conta ele.

“Quando peguei a estrada em direção haviam muitos carros deixando a região. Mas me chamou a atenção que no sentido contrário caminhões de companhias elétricas, ambulâncias e carros dos bombeiros já se dirigiam para Panama City”, acrescenta Pedrosa.

O governo federal decretou estado de emergência para liberar verbas para a reconstrução das áreas atingidas por Michael que, segundo o diretor da Agência Federal de Emergências (FEMA), Brock Long, foi o furacão mais intenso a afetar a região desde 1851.

Ainda hoje Michael deve passar pelos estados da Carolina do Sul, Carolina do Norte e Virgínia, antes de seguir para o Oceano Atlântico. As Carolinas ainda se recuperam dos estragos provocados pelo furacão Florence há um mês.