NYC estabelece salário mínimo para motoristas de aplicativos

NOVA YORK – A cidade de Nova York estabeleceu nesta quarta-feira, 5, que motoristas de aplicativos de carona recebam no mínimo US$17,22 a hora a partir de janeiro.

A decisão da Comissão de Táxi e Limosine (TLC, sigla em inglês) significa que as fórmulas de pagamento da Uber, Lyft, Via, Juno e Gett por minuto ou por milha devem corresponder ao piso estabelecido, o que deve significar uma injeção de US$10 mil na renda anual de pelo menos 80 mil pessoas que dirigem para esses aplicativos na capital financeira do mundo.

A alta segue a tendência estadual que corrigiu o salário mínimo para US$15 a partir de janeiro. Segundo a TLC, os US$2,22 a mais servem para cobrir as despesas com seguros, manutenção do carro e combustível.

A iniciativa de Nova York prevê ainda que os motoristas recebam pelo tempo em que esperam os passageiros e os percursos entre uma corrida e outra e até mesmo a volta de um trecho longo sem clientes. Em média, os carros de aplicativos passam 42% do período de serviço sem usuário.

As mudanças foram motivadas após um estudo da cidade de NY avaliar que pelo menos  85% dos motoristas do setor levam para casa US$14,17 a hora. Em geral, eles ganham 59 centavos por milha, mas cai para 29 centavos após os descontos de porcentagens das empresas e impostos. Em tempo: as duas maiores companhias do ramo, Uber e Lyft, ficam, respectivamente, com 25% e 20% de cada corrida.

Essas cifras podem ser ainda mais baixas no resto do país. Uma pesquisa do Economic Policy Institute, em Washington, calcula que a média nacional desses profissionais gira em torno de US$9,21 a hora. Como terceirizados, eles se responsabilizam ainda, pelo fundo médico, Seguro Social, além dos seguros de Compensação do Trabalhador e do veículo e não contam com o benefício do auxílio-desemprego, observou o levantamento.

Pioneira

O salário defasado dos motoristas de aplicativos é uma preocupação antiga da cidade de Nova York que em agosto suspendeu a emissão de licenças para esses aplicativos por um ano sob a justificativa de que o setor precisa ser regularizado.

A Aliança de Taxistas de Nova York afirmou em nota que a cidade “mais uma vez passa uma regra para proteger os trabalhadores em um momento econômico difícil”.

Por outro lado, a gerência da Uber lamenta que os usuários vão ter que pagar mais para viabilizar o novo salário. A Lytf também foi a público para contestar as alterações que entram em vigor a partir de janeiro.

Mas a TLC rebate e enfatiza que o número de corridas dessas empresas saltou de 42 milhões em 2015 para cerca de 159 milhões em 2017 e não houve repasse do lucro para os motoristas.

Incentivos

Por outro lado, as empresas de aplicativo lançam planos de incentivo para atrair novos motoristas e compensar o salário baixo.

Na última semana de novembro, por exemplo, a Uber criou um programa de vantagens para os condutores. O Uber Pro oferece 25% de desconto em oficinas e 5% de retorno do dinheiro gasto em postos de gasolina com quando usar o cartão de débito da companhia.

Outra iniciativa, porém, não agradou os condutores. Em novembro, a Uber divulgou um plano de pagamento que supervaloriza as rotas menores para evitar os motoristas a não rejeitar curtas distância.