Trump critica imigrantes que vêm de “países de merda”

WASHINGTON – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,  questionou nesta quinta-feira, 11, durante uma reunião sobre reforma imigratória a razão pela qual os Estados Unidos “recebem estrangeiros de países de merda”.

Segundo fontes citadas pela imprensa americana, o mandatário interrompeu o senador Dick Durbin (democrata de Illinois) quando ele explicava detalhes de uma proposta bipartidária que sugere acabar com a loteria do green card em troca do benefício do Status Temporário de Proteção (TPS) para pessoas de nações impactadas por desastres naturais.

Quando Durbin citava as nacionalidades que entrariam no programa e mencionou os haitianos, o magnata perguntou por que os Estados Unidos iriam querer mais pessoas do Haiti e de países da África, classificando esses lugares como “buracos de merda”. Trump ainda teria sugerido que o país norte-americano estaria melhor se atraísse pessoas de lugares como a Noruega, cuja primeira-ministra esteve com o presidente nesta semana.

Em nota, a Casa Branca não negou nem confirmou as declarações, apenas enfatizou que o presidente Trump sempre lutará pelo povo americano”. “Alguns políticos de Washington escolhem lutar por países estrangeiros, mas o presidente Trump sempre lutará pelo povo americano”, disse o secretário de imprensa, Raj Shah.

Tentativa de Acordo

Durbin  e o colega republicano Lindsey Graham (Carolina do Sul) foram pedir apoio ao presidente para passar a proposta de uma nova lei de imigração redigida pela “Gangue dos Seis”, mas Trump não concordou. “Ele disse para que continuássemos trabalhando na proposta”, disse Durbin a jornalistas.

Além de Durbin e Graham, o esboço da legislação tem as assinaturas dos republicanos Jeff Flake (Arizona), Cory Gardner (Colorado) e dos democratas Michael Bennet (Colorado) e Robert Menendez (Nova Jersey) e engloba os pontos discutidos no início da semana com Trump, mas foram considerados insuficientes pela administração federal.

Dreamers 

O parágrafo mais importante prevê a regularização de mais de 700 mil imigrantes que foram trazidos aos Estados Unidos ainda crianças pelos pais. Eles estavam protegidos pela DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals), ordem executiva de Barack Obama em 2012 que foi encerrada pelo autal governo no dia 5 de setembro.

Segundo a decisão de Trump, o Congresso teria que encontrar uma solução permanente para os Dreamers, como são conhecidos os imigrantes protegidos pela DACA, até o dia 5 de março, prazo definitivo para o fim do programa.

Embora um juiz federal tenha decidido essa semana que a DACA deve ficar enquanto o processo corre na Corte, legislativo e executivo buscam um acordo diante do aumento da pressão pública e a eminência de jogar os jovens de volta para ilegalidade.

Ativistivas e pelo menos uma centena de CEOS de corporações pressionam o Congresso a decidir sobre o futuro dos dreamers até 19 de janeiro, sob o risco de não haver um acordo orçamentário e o governo federal ter que fechar as portas.

Mas junto com a regularização dos jovens, os conservadores pedem medidas mais severas de proteção contra a imigração ilegal e a restrição de novos imigrantes legais.

O senador Tom Cotton (republicano do Arkansas), aliado da Casa Branca para limitar a imigração legal, também estava presente no encontro e chamou o projeto bipartidário de piada.

Enquanto a Casa Branca pede $18 bilhões para a segurança na fronteira, incluindo a construção do muro com o México, os senadores ofereceram $1,6 bilhão.

Além disso, o texto da “Gangue dos Seis” não prevê o fim da legalização por laços de família, mas atrasa a possibilidade dos dreamers, já regularizados, de estender o benefício para familiares.

O projeto pretende transferir os 50 mil green cards distribuídos pela loteria para vistos anuais para benefiários do TPS, ponto que insitou os comentários polêmicos do presidente. Trump e seus aliados querem acabar com os dois programas.

“Não sei qual será o próximo passo”, disse o senador Durbin à imprensa, depois do encontro com Trump. O presidente nos convidou para um encontro no seu gabinete para trazermos propostas, e foi isso que fizemos. É uma proposta bipartidária, na qual trabalhamos durante quatro meses no Senado, e não sei o que vai acontecer agora”.