Movimento #MeToo é Personalidade do Ano de 2017 da ‘Time’

NOVA YORK –  O movimento “The Silence Breakers”, que através da hashtag #MeToo mostrou através das redes sociais as pessoas vítimas de assédios e/ou abusos sexuais, foi escolhido como a “Personalidade do Ano” da revista norte-americana “Time” nesta quarta-feira, 6.

Para a capa da revista, os editores escolheram diversos artistas – como a cantora Taylor Swift e a atriz Ashley Judd – como símbolo das denúncias.

“Estrelas de cinema não são, supostamente, como eu e você. Elas são esbeltas, glamurosas e cheias de si. Elas usam vestidos que não podemos pagar e vivem em casas que nós só podemos sonhar. No entanto, nos caminhos pessoais mais profundos e dolorosos, as estrelas de cinema são mais como você e eu do que imaginamos”, escreveu a revista para justificar o prêmio.

A publicação destaca as inúmeras denúncias contra o produtor de Hollywood, Harvey Weinstein, surgidas durante o ano e como esse fato provocou uma onda de denúncias de abusos e assédios dentro da indústria do entretenimento nos Estados Unidos – e por consequência, no mundo.

A revista ainda ressalta que essas denúncias deixaram o mundo do cinema e da música e foram para todos os locais, como no caso das denúncias dentro do Uber ou no Parlamento Britânico e Europeu.

Segundo os editores, a escolha ocorreu porque de uma simples hashtag começou “uma grande mudança social nunca antes vista, com atos individuais de coragem”. A #MeToo foi usada milhões de vezes no Twitter, no Facebook e no Instagram de 85 países diferentes.

“Por dar voz aos segredos abertos, por mover as redes dos sussurros para as redes sociais, por nos empurrar para deixar de aceitar o inaceitável, o “Silence Breakers” são as Personalidades do Ano de 2017″, concluem os editores.

No ano passado, a “Time” escolheu o recém-eleito para a Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, como sua “Personalidade do Ano”. Na descrição, a revista afirmou que a pessoa escolhida é sempre aquela que “mais influenciou os eventos do ano… seja para o bem ou para o mal”.

Em novembro, o republicano afirmou que havia “recusado” a nomeação deste ano, fato que foi desmentido pela publicação.

A tradição de nomear a “Pessoa do Ano” começou em 1927 e, desde então, ela escolhe um personagem público, de qualquer país, como destaque.