Imigrante pede ajuda à polícia e é entregue ao ICE

Wilson Rodríguez tinha seu nome num arquivo do ICE e nenhuma ordem expedida por juiz

SEATTLE –Wilson Rodriguez Macarreno foi preso na quinta-feira, 8, pelo Serviço de Imigração dos Estados Unidos, logo após ele e sua família pedirem auxílio à polícia em Seattle, WA, por ouvir ruídos em casa, provenientes provavelmente de alguém que invadia a residência. O caso chamou a atenção de advogados e defensores de imigrantes, alertando que a forma como as autoridades locais trataram o caso pode assustar estrangeiros em situação irregular de chamar a polícia para denunciar crimes.

No começo da manhã do dia 8, Rodríguez viu alguém invadir sua propriedade em Tukwila, subúrbio de Seattle. Segundo vizinhos, nas últimas semanas, alguém tentou repetidamente entrar em sua casa e carro.

Então, ele chamou o 911. A polícia que atendeu à ocorrência apreendeu um intruso, de acordo com o advogado de Rodríguez, Luis Cortes.

O fato inusitado é que os oficiais colocaram algemas em Rodríguez depois que ele lhes deu sua identificação, acreditando que seria apenas para “boletim de ocorrência”, disse o advogado. Os oficiais viram que ele tinha uma ordem de prisão expedida quando examinaram suas informações através do banco de dados do National Crime Information Center (NCIC).

Menos de uma hora depois de fazer a ligação para relatar a invasão, Rodriguez foi conduzido para um escritório de campo do ICE em Seattle para processamento. Mas seu advogado disse que a polícia de Imigração nunca chegou para retirar seu cliente, então a polícia de Tukwila se ofereceu para levá-lo ao escritório de campo do ICE.

A polícia disse ainda ao The Seattle Times que eles não tinham provas para prender o intruso.

“Como em cada incidente, identificamos os envolvidos”, disse o departamento em uma publicação no Facebook, explicando a razão pela qual a informação de Rodriguez estava no banco de dados. O departamento acrescentou que “os oficiais acreditavam que estavam executando uma ordem válida de um juiz sob a forma de um mandado criminal”.

Na realidade, os oficiais executaram um mandado administrativo do ICE que constava na NCIC, uma lista de criminosos procurados pelos agentes federais. “ Rodríguez foi pego pelas autoridades imigratórias logo depois de entrar ilegalmente no país em 2004. Ele foi solto e deveria ter ido a uma audiência de imigração, mas nunca recebeu a intimação provalvemente porque teve que mudar de endereço por diversas vezes”, explicou Cortes,  advogado do imigrante.

 

A polícia de Tukwila disse no Facebook que o ICE relatou ao departamento que está entrando com mandados administrativos na base de dados da mesma forma que os mandados criminais. A ideia é que se possa “encontrar mais desses tipos de procurados no futuro”.

Advogados alertam sobre a confiança danificada

Jorge Barón, diretor executivo do Northwest Immigrant Rights Project, disse que os mandados do ICE são um grande problema porque “quando as pessoas pensam em um mandado, (eles pensam), um juiz assinou”. Nestes casos agora não.

No passado, funcionários do ICE disseram que as prisões de imigração coordenadas com a aplicação da lei local permitem que as autoridades evitem “riscos para a segurança pública e segurança dos oficiais”.

Os mandados de ICE para violações de imigração civil emitidos pelos oficiais de imigração dos EUA são administrativos e não são revisados ​​por qualquer autoridade independente que examine o caso ou os fatos.

Barón disse que apesar de os policiais de Tukwila estarem enganados, a ignorância da lei não é uma desculpa.

Mas a principal preocupação de Barón não são as linhas desfocadas entre os mandados administrativos e criminais. Ele disse que acredita que o que aconteceu afetará o medo nas comunidades de imigrantes para que eles não liguem para a polícia quando precisarem de ajuda ou quando tiverem informações sobre possíveis crimes.

“Não só vai prejudicar as comunidades de imigrantes”, disse ele. “Isso vai machucar todos nós.”

Falando em uma reunião do Conselho Municipal na noite de segunda-feira, o chefe de polícia adjunto de Tukwila, Rick Mitchell, disse que o departamento trabalhará para tranquilizar a comunidade, “estamos lá por eles”.

Rodriguez entrou nos Estados Unidos vindo de Honduras em 2004, fugindo da violência que matou seu irmão e um amigo, disse seu advogado. Rodriguez esclareceu que seu irmão morreu após levar um tiro na cabeça e seu amigo foi encontrado picado em pedaços.