EUA adiam deportação de defensor dos imigrantes de Nova York

MIAMI – O governo americano decidiu nesta sexta-feira, 9, adiar a deportação de Ravi Ragbir, um defensor dos imigrantes nascido em Trindade e Tobago, depois que ele apresentou uma ação para protestar contra a prisão de vários líderes do movimento pró-imigração.

Até que sua demanda contra a polícia migratória – apresentada junto com várias organizações de defesa dos imigrantes – seja considerada, o governo concordou em adiar temporariamente sua deportação, informou a Coalizão Novo Santuário, dirigida por Ragbir.

“Esta demanda não é apenas sobre mim, é sobre todos os membros de nossa comunidade que estão falando em nossa luta pelos direitos dos imigrantes”, disse Ragbir em comunicado.

Ragbir, residente legal nos Estados Unidos há 25 anos, foi preso pela polícia migratória em Manhattan em 11 de janeiro. Foi transferido a Miami para ser deportado em meio a protestos em Manhattan que deixaram cerca de 20 detidos, incluindo dois vereadores nova-iorquinos.

Mas uma juíza determinou seu retorno a Nova York e depois ordenou sua libertação, ao criticar a “cruel”, “abrupta e evidentemente desnecessária prisão”.

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, escreveu nesta semana uma carta à polícia migratória, órgão federal, na qual assegurou que a deportação do “amado líder comunitário nova-iorquino (…) afetaria negativamente a comunidade imigrante”.

Ragbir deveria comparecer ante a polícia migratória neste sábado para ser deportado, mas a ação foi cancelada.

O líder comunitário de 53 anos está casado com uma advogada de migração americana e tem uma filha nascida neste país. Tem um green card, ou permissão de residência, desde 1994 e recentemente contou à agência AFP que há anos vive o “terror” de ser deportado.

A perseguição a líderes imigrantes devido ao seu discurso e militância política “claramente viola a Primeira Emenda” da Constituição, que protege o direito à liberdade de expressão, disse Sally Pei, do escritório de advocacia Arnold & Porter, que defenderá Ragbir com advogados e estudantes de Direito da Universidade de Nova York. “Buscaremos acabar com esta prática vingativa”, acrescentou.

Crime de fraude bancária

Condenado por cometer em 2001 um crime de fraude bancária quando trabalhava em uma empresa de hipotecas, passou três anos em prisão domiciliar e dois anos em uma prisão federal.

Após ser libertado, esteve mais dois anos detido à espera de ser deportado, mas se salvou graças a vários adiamentos, o último deles vencia este ano. Desde 2007 se dedica a ajudar centenas de imigrantes em Nova York.

Como ele, outros defensores do imigrantes foram deportados, ou são ameaçados de deportação, pelo governo de Donald Trump. Um exemplo é Jean Montrevil, codiretor da coalizão dirigida por Ragbir, deportado para o Haiti em janeiro.