Bachelet homenageia chilenas ilustres durante ato com atriz trans em seu último dia de atividades públicas

Presidente chilena Michelle Bachelet segura estatueta do Oscar em encontro com Sebastian Lelio (esquerda) e Daniela Vega (direita), diretor e atriz do filme 'Uma Mulher Fantástica' (Foto: AFP)

SANTIAGO – A presidente do Chile, Michelle Bachelet, rendeu nesta quinta-feira, 8,  homenagens a chilenas ilustres que lutaram pela dignificação da mulher no país, acompanhada da atriz transexual Daniela Vega, protagonista de “Uma Mulher Fantástica”, que ganhou o Óscar de melhor filme estrangeiro.

“Não posso deixar de render uma homenagem a esta mulher fantástica que nos enche de orgulho: Daniela Vega”, disse a presidente durante o ato, realizado no município de Lo Prado, ao oeste de Santiago.

Após a vitória de Daniela Vega, Bachelet impôs “suma urgência” ao projeto de lei para garantir o reconhecimento jurídico de pessoas trans no país. A normativa estabelece o direito à retificação do nome e do sexo no registro quando estes não coincidem com a identidade de gênero, embora exclua crianças e adolescentes.

A atriz não recebeu o prêmio de cidadã ilustre da sua cidade natal, Ñuñoa, porque o prefeito considerou que não poderia entregar o título porque nos documentos da atriz constam seu nome de nascimento, masculino.

Bachelet também prestou homenagem a chilenas históricas como Elena Caffarena (sufragista), Inés Enríquez (primeira deputada) María de la Cruz (primeira senadora), e Gabriela Mistral (Prêmio Nobel de Literatura em 1945), entre outras.

“É a partir das conquistas que percebemos que podemos ver o que nos falta”, disse às mulheres Bachelet, que considerou que ainda falta superar “um desafio muito difícil, mas inadiável: punição efetiva para os culpados (de assédio e abuso contra mulheres) e a transformação da cultura machista, tão difícil de remover”.

“Quero convidá-las a não cruzar os braços, a não retroceder e continuar trabalhando para derrubar os preconceitos, erradicar a violência e garantir os direitos de todos os que vivem em nosso país. Nós mulheres não nos renderemos”.

“Viva o dia da mulher, vivam as mulheres da nossa pátria e vivam as mulheres do mundo!”, afimrou, emocionada, Bachelet.

Último dia

Bachelet também destacou que esta quinta é o seu último dia de atividades públicas como presidente, pois no próximo domingo entregará o cargo a Sebastián Piñera, eleito em dezembro.

“É o último dia em que me dirijo a vocês no exercício do meu cargo, por isso quero agradecer, porque muitas vezes, nos momentos mais difíceis, sempre senti o apoio incondicional das mulheres da minha pátria”, destacou.

“Nem tudo foi perfeito, há coisas que se podem melhorar, mas o apoio de vocês contribuiu para fazer as mudanças que o Chile precisava há muito tempo”, acrescentou.

Acompanhada de suas ministras, mulheres sindicalistas, e dirigentes políticas, entre outras, a presidente ressaltou que seu governo conseguiu “abrir uma porta, e não qualquer uma, para que por ela passem mais e mais mulheres caminhando para um país mais justo e equitativo”.

Além disso, Bachelet lembrou que no Chile “a conquista do voto, o avanço dos direitos sociais e civis próprios da mulher têm uma história longa. Foi a partir dessa história que fomos capazes de dar novos passos, como a punição do feminicídio e a descriminalização do aborto em três circunstâncias”.