Assinatura da declaração de independência foi ‘ato simbólico’, diz governo catalão

(Foto: AFP)

BARCELONA – O governo catalão afirmou nesta quarta-feira, 11,  que a declaração de independência da Catalunha assinada pelo presidente regional, Carles Puigdemont, e os deputados independentistas foi um “ato simbólico”, segundo a France Presse.

O governo espanhol convocou uma reunião de emergência após a cerimônia de terça-feira (10) quando Puigdemont anunciou no parlamento o resultado do refendo em que aprovou o “sim” à independência catalã – aprovada por 90% dos votantes.

Para o líder catalão, com esse resultado, a região ganhou o “direito de ser independente, a ser ouvida e a ser respeitada”, mas propôs a abertura de um processo de diálogo. A declaração frustrou os independentistas que esparavam uma declaração clara de separação.

Pouco depois de Puigdemont pedir um diálogo com Madri, foi assinado um documento que proclamava a “República catalã”. O porta-voz do governo catalão, Jordi Turull, explicou nesta quarta que essa assinatura foi um “ato simbólico” no qual todos signatários assumem o “compromisso de declarar a independência”, de acordo com a France Presse.

“Há um antes e um depois de 1 de outubro, e alcançamos o que nos comprometemos a fazer no início da legislatura. Chegou este momento histórico e, como presidente da Generalitat, assumo ao apresentar os resultados do referendo perante o Parlamento e os nossos concidadãos, o mandato de que a Catalunha se torne um Estado independente sob a forma de uma república”, disse. “Isto é o que corresponde fazer hoje. Por responsabilidade e respeito.

Governo espanhol

Após o pronunciamento no parlamento catalão, o governo espanhol convocou uma reunião de emergência com os ministros para discutir os próximos passos na crise do governo central com a região da Catalunha.

Fontes do governo da Espanha ouvidas pela agência Efe classificaram como inadmissível “fazer uma declaração implícita de independência para depois deixá-la suspensa de maneira explícita”.

Segundo essas fontes, não se pode aceitar dar validade à lei catalã do referendo, que está suspensa pelo Tribunal Constitucional da Espanha, e tampouco se pode dar como válida a suposta recontagem de um referendo “fraudulento e ilegal” que foi realizado em 1º de outubro.

A Catalunha realizou um referendo pela independência no dia 1º de outubro, que teve comparecimento de apenas 43%, dos quais mais de 90% afirmaram que querem a separação do país e a formação de uma república. A votação do referendo foi considerada ilegal pelo governo de Madri desde o primeiro momento em que a região anunciou sua intenção. As forças de segurança atuaram para reprimir a votação e o confronto terminou com mais de 800 feridos.

Impacto

O processo independentista impacta diretamente 16% da população espanhola que vive nessa região do nordeste da Espanha, grande como a Bélgica e que contribui com 19% do PIB do país. A União Europeia já havia alertado que, em caso de separação, o território ficaria fora do bloco.

Mais cedo, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu que o Puigdemont retornasse ao “diálogo possível” com Madri.