10 mil pessoas pedem a salvação dos dreamers em Washington

(Getty Images)

WASHINGTON – Milhares de pessoas participaram do Dia da Ação em Washington nesta quarta-feira, 6, para pedir a aprovação imediata de uma lei para proteger cerca de 800 mil dreamers que podem voltar à clandestinidade nos próximos três meses.

Segundo os organizadores, o ato na na capital dos Estados Unidos reuniu pelo 10 mil manifestantes que também reivindicou uma reforma imigratória para beneficiar quase 12 milhões de imigrantes indocumentados nos Estados Unidos e o bloqueio de dinheiro para a construção do muro na fronteira com o México, além da revisão da decisão de encerrar a proteção de status temporário (TPS) e a recusa de receber refugiados.

Mas os dreamers, como são chamados os jovens que foram trazidos ainda crianças ao país, se destacavam entre a multidão. Eles pediam a  aprovação do Dream Act que daria a eles a permanência legal no país e o direito a reivindicar a cidadania norte-americana sem aceitar em troca medidas punitivas que colocariam em risco a vida dos imigrantes indocumentados no país.

Gutierrez entre os manifestantes nesta quarta-feira

Durante o manifesto, cerca de 200 pessoas foram presas por desobediência civil enquanto bloqueavam com faixas e cartazes a entrada, do prédio do Congresso norte-americano (Capitol Hill). Entre eles os deputados federais do partido democrata Luis Gutierrez (Illinois) e Judy Chu (Califórnia) e a senadora Kamala Harris (democrata de Califórnia).

Urgência

Em setembro, o governo de Donald Trump anunciou o fim da proteção temporária imposta pelo ex-presidente Barack Obama em 2012 – a DACA – e marcou para o dia 5 de março a expiração de todas as autorizações de trabalho oferecidas que até então eram renováveis a cada dois anos.

A administração republicana convocou o Congresso, dominado pelo seu partido, para resolver o impasse e regularizar os imigrantes que chegaram aos Estados Unidos quando ainda não tinham atingido a maioridade.

No momento, quatro projetos tramitam no Congresso. A ala mais conservadora do partido republicano concorda em regularizar os jovens, mas cobra medidas mais rígidas contra a imigração ilegal no país e nega o direito à naturalização. Já os democratas querem garantir a cidadania aos dreamers sem sacrificar 12 milhões de imigrantes indocumentados que vivem nos Estados Unidos.

Os manifestantes que ocuparam as ruas de Washington defendem que o Dream Act, projeto bipartidário de autoria  dos senadores Lindsey Graham (republicano da South Carolina) e Dick Durbin (democrata de Illinois), entre em pauta antes do recesso de fim do ano.

Protestos de apoio aconteceram em todo país, inclusive um comício em Boston, capital de Massachusetts. Grupos de dreamers também deram início a uma greve de fome em estados como Califórnia e Flórida para chamar a atenção para a urgência do assunto.

Impasse

Os republicanos querem dar prioridade ao plano orçamentário que deve ser aprovado até esta sexta-feira (8) para evitar o fechamento do governo. Hoje, os parlamentares discutem colocar em pauta um termo temporário do orçamento para que tenham mais uma semana – até o dia 22 quando saem para o recesso de Natal – para chegar a um consesso sobre as contas públicas.

Os projetos orçamentários já foram aprovados nas duas Casas, mas agora senadores e deputados precisam chegam a um acordo sobre as diferenças para impedir a suspensão dos serviços que estão fora do âmbito de urgência.

O projeto de $4 trilhões precisa de 60 votos no Senado, onde há 52 republicanos. Mas pelo menos seis senadores democratas – Kirsten Gillibrand (NY), Kamala Harris (CA), Bernie Sanders (VT), Dick Durbin (IL), Elizabeth Warren (MA) e Corey Booker (NJ) – disseram que só aprovam o novo orçamento se o Dream Act for votado antes do fim do ano.

Os líderes da minoria no Congresso, o senador Chuck Schumer e a deputada Nancy Pelosi, esperam se encontrar com o presidente Donald Trump nesta quinta-feira e negam a acusação do republicano de que partido opositor será o responsável pelo fechamento do governo.

“Apenas o presidente está falando em fechamento do governo, nós buscamos um acordo”, disse Pelosi na véspera do encontro.